Os
ciclóstomos têm esqueleto
cartilaginoso, que forma uma
coluna vertebral incompleta, em
que o encéfalo e o crânio
são rudimentares.
Não possuem barbatanas pares nem escamas (têm a pele lisa).
São animais marinhos
quando adultos, mas na época da reprodução voltam às águas
continentais com correntes (água doce). A larva permanece em águas
continentais e as lampreias adultas vivem próximo da costa onde
nasceram e em pequenas profundidades (regiões costeiras temperadas).
Os ovos são depositados em águas de salinidade menor que a água do
mar, e o período larval dura de 3 a 7 anos. As adultas morrem após a
desova.
São ectoparasitas pouco selectivos, alimentando-se de sangue e de
fluídos corporais de outros peixes e até de mamíferos marinhos. Têm
uma boca em forma de ventosa, com dentes e língua cartilaginosa com
cerca de 100 dentículos de queratina que são utilizados para raspar
a pele do hospedeiro, para a perfurarem e lhe sugarem o sangue.
Nesta fase uma glândula salivar produz uma substância anticoagulante
que é aplicada na ferida, mantendo-a aberta.
A boca e os dentes formam um funil, o tubo digestivo é linear sem
formação de estômago, e apresenta uma glândula digestiva
(pré-fígado) não existindo pâncreas.
Devido ao facto de ser
fraca nadadora, utiliza a boca para se fixar às rochas, quando a
correntes é demasiado forte, o que também faz quando tem necessidade
de transpor obstáculos durante as migrações.
Possuem no topo da
cabeça um "olho pineal" translúcido e, à frente, uma única "narina",
o que é um caso único entre os vertebrados actuais (embora se
encontre em alguns fósseis). Esta "narina", é também chamada
abertura naso-hipofisial, uma vez que liga ao órgão do olfacto e a
um tubo cego que inclui a glândula pituitária ou hipófise.
Os olhos são
relativamente grandes e estão equipados com cristalino, mas não
possuem músculos oculares intrínsecos, como os restantes
vertebrados. Atrás, abrem-se sete fendas branquiais. Uma outra
característica deste grupo de peixes é a inexistência de verdadeiros
arcos branquiais – a câmara branquial é reforçada externamente por
um cesto branquial cartilagíneo. Os sentidos do tacto e olfacto
estão extremamente desenvolvidos.
A pesca da lampreia é
feita apenas com redes e aparelhos, principalmente com tresmalho
derivante e estacada (rede mantida na posição vertical por estacadas
de fundo até à superfície com um comprimento de cerca de 50 metros).
A população de lampreias tem vindo a diminuir regularmente, devido
não só à só pesca mas, fundamentalmente, aos obstáculos à migração
reprodutora, à destruição dos locais de postura, à poluição e às
alterações dos caudais dos rios.
O seu interesse
gastronómico em Portugal, nomeadamente o famoso Arroz de Lampreia,
faz com que o seu preço atinja valores altíssimos.
ARROZ DE LAMPREIA
Ingredientes
- 1 lampreia
- 1/2 kg de arroz
- 1 cebola grande
- 1 ramo de salsa
- 1 folha de louro
- 1 dente de alho
- Azeite
- Unto ou banha de porco
- Pimenta, colorau,
sal e
margarina
- vinho tinto
Preparação
Pela-se a lampreia pondo-a num alguidar, e, sobre ela,
deita-se água a ferver. Com uma faca, tira-se a pele, só
raspando. Abre-se a lampreia da cabeça até ao fundo dos
buracos, e junto à cauda, dá-se um golpe para tirar a tripa
inteira. Aproveita-se o sangue no mesmo recipiente, pondo
vinho tinto de modo a tapar a lampreia, e tempera-se com os
condimentos acima descritos. Deve ficar de véspera com esses
temperos. No dia seguinte, faz-se um refogado com a cebola,
azeite, banha ou unto e margarina. Depois do refogado feito
põe-se a lampreia dentro e deixa-se refogar, virando dos dois
lados. Cobre-se então com a marinada dos temperos. Deixa-se
cozer a lampreia durante cerca de 15 minutos, de forma a que
não fique desfeita. Tira-se a lampreia, põe-se água em
quantidade tripla de arroz, deixa-se ferver e põe-se o arroz,
deixando cozer cerca de 15 minutos. Serve-se em seguida numa
travessa funda, sendo o arroz coberto com a lampreia inteira,
apenas golpeada.